O presente texto foi incialmente
escrito em 2009 e por mim recentemente descoberto e reeditado. Achei que
poderia ser de valia para alguém interessado em Hamlet e/ou Shakespeare.
Aproveitando a encenação de Hamlet por Aderbal
Feire Filho com Wagner Moura no
papel principal, resolvi ler a peça, coisa que eu nunca tinha feito. Como sei
que a linguagem em Shakespeare é fundamental e que nenhuma tradução consegue
reproduzir jogos de palavras, trocadilhos, resolvi utilizar uma versão que
coloca a linguagem original ao lado de uma versão em inglês moderno. Li a
versão moderna, mas, quando o trecho era particularmente bonito eu lia a versão
original em voz alta para poder melhor apreciar a sonoridade. Fiz uma leitura
cuidadosa, consultando a internet para maiores detalhes, conhecer o pano de
fundo, situar a peça no seu tempo, etc.
Mesmo antes de lê-la eu
já tinha uma visão preconcebida da peça: Shakespeare é diversão. E, de fato, me
diverti muito. E não foi tão somente com a ação, com as tramas que Shakespeare
monta, com as gracinhas que Hamlet
diz. Foi com o espirituoso dos diálogos, a perspicácia dos argumentos, o embate
/ jogo de palavras, a ironia fina. Ao terminar a leitura da peça, voltaram-me
as dúvidas iniciais: porque Hamlet é uma peça tão famosa?
A resposta a esta
pergunta não é fácil. Shakespeare não é Goethe, um escritor erudito cujo público é a elite cultural.
Shakespeare fazia teatro popular; a pretensão dele era divertir, entreter,
fazer sucesso e o seu teatro, o Globe,
ficava do outro lado do Tâmisa. O objetivo de Shakespeare, ao contrário de
Goethe, não era fazer literatura, deixar uma obra para a posteridade, tanto é
que ele próprio jamais publicou a peça e a versão escrita por ele jamais chegou
aos nossos dias.
A versão que chegou às nossas mãos é uma colcha
de retalhos. Ela provavelmente é o resultado de anotações de diversas
encenações. O Hamlet que aparece nesta peça é um sujeito cheio de incoerências.
Começa imerso em dúvidas existenciais, cuidadoso, cauteloso e termina
metendo-se de forma atabalhoada em um monte de confusões. Como é que um sujeito
tão desconfiado que não aceita o fantasma do seu próprio pai, aceita montar uma
intrincada armadilha para pegar o seu padrasto? Ele lhe nutre tanto ódio que se
recusa a matá-lo, porque o encontra imerso em confissões que o poderiam livrar
dos pecados. Como é que ele então aceita participar de um duelo armado por este
mesmo vilão? Como é que este sujeito apunhala alguém que se esconde atrás de um
tapete sem nem ao menos verificar de quem se trata? Como é que um sujeito tão
ardiloso que desconfia que a viagem à Inglaterra é uma armadilha, não desconfia
da armadilha que Claudius (o vilão, tio de Hamlet e assassino de seu pai) está lhe
armando jogando-o contra Laerte? Porque Hamlet não se abre com Laerte
conquistando-o para o seu lado e desmascarando o verdadeiro culpado?
Aliás, o gran
finale da peça dá uma boa idéia das preocupações do
autor. Shakespeare faz ribombarem os trovões e após o ápice reduz tudo ao
silêncio. É a busca do efeito, a busca dos aplausos de um dramaturgo, dono de
uma companhia de teatro que sabe que o dinheiro só chega com o sucesso.
A peça é cheia de
concessões. Começa com o fantasma, concessão à crendice e à superstição popular
(fantasmas na época ocupavam o imaginário de boa parte da população). O
fantasma não é pura alegoria, não é produto da sua consciência, da sua
imaginação, não é um alter-ego com o qual Hamlet dialoga para esclarecer as
suas dúvidas. O fantasma é de carne e
osso, ele fala, ele o critica e o repreende.
A peça utiliza todos os
recursos da época para entreter. Tem poesia rimada (a peça dentro da peça), tem
canções (entoadas pelos coveiros), tem teatro dentro do teatro (este é um
artifício de Shakespeare para introduzir o teatro popular, a commedia
dell’arte), tem palhaços, tem luta de esgrima (há que
lembrar que a esgrima, na época, devia ser o que hoje é o boxe ou a luta livre)
e acima de tudo tem intriga, falsidade, vilania e miséria humana. Tem mentira
de montão, falsidade, dissimulação, ódio, traição, bajulação. Reforça a idéia
de que o homem é mau e que o bem está tão somente na metafísica. Em particular,
é bom que o povo acredite que o reino dos ricos é tão somente podridão, para
que se contentem em ficar onde estão, ou então, para que se contentem com o
reino dos céus. Poder e riqueza só levam à perdição.
Isto é velho e está em
toda e qualquer novela da Globo. Da
mesma forma que a Globo, Shakespeare no
seu teatro, the
Globe, enche a trama de ação e
histórias dentro da história. Melhor diria, naturalmente, que a Globo segue o the Globe. A peça tem 20 cenas distribuídas em 5 atos.
Será que não foi com Shakespeare que a televisão / cinema moderno aprendeu a
encher a narrativa de cortes e cenas rápidas? No que diz respeito às tramas
internas tem, por exemplo, a cena em que Polônio manda Reinaldo espionar o seu
filho Laerte na sua viagem à França. Para que Shakespeare introduz esta cena? O
caráter intrigante de Polônio já estava claro desde o primeiro momento. Ou
então toda a trama que Polônio tenta montar para mostrar que a verdadeira causa
da loucura de Hamlet é o seu amor por Ofélia. Mas porque o amor, ou até mesmo a
negação do amor (Polônio manda Ofélia recusar o amor que Hamlet lhe oferece)
levariam Hamlet à loucura? E porque isto surge assim tão de repente? Qual é o
objetivo de Polônio? Casar Hamlet com Ofélia? E porque isto não tem seguimento?
O que isto tem a ver com o restante da trama?
Aliás, os personagens
femininos estão muito mal resolvidos. Para início de conversa tem Ofélia. É
difícil acreditar que uma moça inteligente (e isto fica claro no diálogo no ato
III, cena 1 quando Hamlet diz que não ama mais Ofélia) não tenha um mínimo de
senso crítico em relação a seu pai, um intrigante contumaz. Ofélia participa de
todas as tramas que este último monta e segue-lhe as ordens cegamente. Porque
Ofélia enlouquece? É pelo amor de Hamlet que lhe é negado? Mas, neste caso,
como aceita participar do jogo sujo de Polônio? Além disso, amor exigiria
entrega e em nenhum momento isto aparece. Seria o amor de Ofélia pelo pai que a
levaria à loucura? Mas, Polônio, em nenhum momento, nos é mostrado como um
indivíduo possível de ser amado, ainda por cima por uma moça virtuosa e honesta
como Ofélia.
A versão psicanalítica
diz que Ofélia enlouquece porque realiza através de Hamlet o assassinato que
ela própria almeja, uma vez que, Polônio a impede de entregar-se ao homem que
ela ama. Atordoada pelo drama de consciência de assassinar o pai pelas mãos do
amante, ela enlouqueceria. Aqui vemos armada a confusão. Como amar Hamlet, um
homem que diz que não a ama, ao qual ela nunca se entregou e que, na peça, é
mostrado como um amor, distante, fugaz e passageiro? O drama de consciência
denotaria um apego a Polônio que é difícil de acreditar pelos motivos já
apontados. A hipótese de amar ambos, denotaria um personagem frágil,
desorientado e também isto não aparece. Além do mais se a interpretação
psicanalítica é verdadeira, ela é uma interpretação a posteriori, que nada tem a ver com a peça.
Gertrude, a rainha,
mulher do rei morto e posteriormente mulher do novo rei, assassino do primeiro,
é ainda pior resolvida. É difícil imaginar tal situação, sem um grande amor
(pelo novo rei) ou uma grande ambição por trás, ainda mais se for levado em
conta, que o novo casamento se dá alguns meses depois da morte do primeiro rei.
E, no entanto, em Gertrude nada faz crer nem uma coisa, nem outra. Nada na peça
explica o seu possível amor por Claudius, nem tampouco consegue-se ver qualquer
sinal de ambição ou sede de poder. Gertrude é simplesmente uma submissa. Mas no
Ato III, cena 4 em que Hamlet a acusa de traição, o que vemos é uma mulher
alquebrada e arrependida pelos seus erros. Como acreditar que uma mulher fraca
participe de uma trama forte? Mesmo que ela não soubesse do assassinato do
antigo rei, é difícil acreditar que ela não soubesse da ambição do novo rei e
do conflito deste com o seu próprio filho. Como explicar a aliança
incondicional com o primeiro em detrimento do segundo, sem a existência de uma
profunda cisão entre Gertrude e Hamlet que, no entanto, em nenhum momento aparece?
Novamente, a
interpretação psicanalítica diz que as dúvidas de Hamlet decorrem do fato de
que no assassinato realizado por Claudius, realiza-se seu sonho edipiano de
matar o pai para ficar com a mãe. Mas novamente isto é uma interpretação a posteriori e nada na peça nos faz
sentir o amor de Hamlet por sua mãe.
Aliás, Hamlet não
mostra amor por mulher nenhuma. Ele maltrata Ofélia e Gertrude e a sua relação com
as duas denota ódio e desprezo muito mais do que desilusão, dor ou sofrimento.
Afeição Hamlet só demonstra por seu amigo Horácio o que talvez tenha
contribuído para reforçar comentários sobre o homossexualismo de Shakespeare.
Mil histórias deste
tipo eu poderia enumerar para mostrar que a peça é cheia de descontinuidades e
incoerências. A maioria das análises que eu li, reconhece estes fatos e os
desculpa dizendo que Shakespeare cria personagens complexos. Shakespeare não
cria personagens complexos, os personagens é que parecem complexos porque
Shakespeare não cria, ou melhor, não se aprofunda na sua complexidade. É este
aprofundamento que, jogando luz sobre o personagem, explicaria as suas motivações,
tornando-o mais claro.
As conjeturas, interpretações e dúvidas
levantadas acima apontam para uma peça que deixa tudo em aberto, que abre mil portas,
mas não fecha nenhuma, que aponta para caminhos, mas não os segue. Aí está uma
primeira explicação para a fama da peça. Pois o sonho de qualquer diretor é
justamente encenar uma peça que lhe dê condições de desdobramento e
interpretação. O problema é que qualquer interpretação e desdobramento que se
queira dar, seguindo por uma destas portas abertas, implicaria em reescrever a
peça, adicionando diálogos e novas cenas. E aí provavelmente falta coragem para
realizar tal interferência em uma obra do porte de Hamlet. Ou seja, a definição
da indefinição (do conteúdo) esbarra na definição (do prestígio da peça).
O pior na peça, no
entanto, não é a incoerência a descontinuidade, a indefinição dos personagens. O
pior mesmo é que o ponto central da peça, a vingança, é tratada de forma
absolutamente superficial. Mesmo o famoso monólogo ser ou não ser no ato III, cena 1, resume-se a uma dúvida sobre o
agir ou não agir. Ao agir, Hamlet sujeitar-se-ia a um julgamento post mortem. Neste monólogo, aparece um
dilema. De um lado, ao agir, existe um perigo que se conhece. Do outro lado, o post mortem apontaria para um perigo que
se desconhece. A prevalência do risco metafísico leva Hamlet a não agir e a
concluir que a reflexão nos torna covardes.
Analisemos esta questão
com um pouco mais de profundidade. Primeiro tem a equivalência entre o ser ou não ser com o agir ou não agir que colocaria
Descartes, para quem pensar é ser, de orelha em pé. Para Shakespeare, pelo
contrário, pensar é não agir (a reflexão nos torna covardes).
Se considerarmos que ser é agir, então, não agir é
não ser. Ora, como para Shakespeare pensar
é não agir, como não agir é não ser,
temos, como consequência que pensar é não
ser, que é exatamente o contrário do que diz Descartes. Trata-se de
anti-racionalismo. Seria já um produto do empirismo inglês? Mas nem Hume nem
Locke tinham nascido quando Hamlet foi escrito. As bases do empirismo inglês, no
entanto, já estão lá. Que seja desculpado em Shakespeare o fato de ele ser um
empirista prematuro. O que não dá para desculpar, no entanto, é reduzir o problema
da vingança ao julgamento post mortem,
ou seja, ao pecado. Hamlet no seu famoso monólogo diz que ao se recusar a agir,
ou seja, ao se recusar a vingar o pai, o estaria fazendo por medo de algo que
possa ocorrer após a morte. E ele conclui dizendo que este tipo de reflexão nos
torna covardes.
No caso de Hamlet a
questão tem ainda alguns agravantes. Primeiramente Claudius é um assassino.
Tratar-se-ia, portanto, de assassinar um assassino. Além disso, ao deixar
Claudius vivo, Hamlet estaria deixando o trono da Dinamarca nas mãos de um criminoso.
Nada disto é mencionado no monólogo.
Uma outra vertente da
vingança, a honra, tampouco recebe a ênfase necessária. O que é honra? Para
que? O que significa? Como se justifica? Nada disso é mencionado. No início da
peça, Hamlet ainda menciona a honra como uma das motivações de seus atos, mas
do meio para o final os diálogos parecem indicar que a principal fonte para o
sentimento de vingança de Hamlet é realmente o fato de Claudius estar
repartindo o leito de sua mãe, o que reforça a versão psicanalítica.
Finalmente tem a
questão do ódio que tampouco recebe tratamento adequado. É claro que Hamlet odeia
Claudius e nos parágrafos anteriores vimos que a raiz deste ódio não é exposta
de forma clara.
Outra coisa que não dá
para desculpar em Hamlet é a pobreza do tratamento político. Em uma Inglaterra
em que Elisabeth I e, antes dela, Henrique VIII, mandam decapitar um grande
número de concorrentes (Maria Stuart por exemplo) onde assassinato, traição,
disputa pelo poder e ambição são os temas mais comuns na corte, é muito
estranho que uma peça que aborda justamente esta problemática, não faça
qualquer alusão à situação vivida na Inglaterra e, ao invés disto, escolha um
longínquo reino da Dinamarca como local da trama. Pior ainda é a quase total
omissão de uma questão central destes assassinatos: a ambição e a disputa pelo
poder. Na peça fica claro que Claudius é um vil intrigante e armador de ciladas
e emboscadas, mas não fica claro que se trata tão somente de meios para atingir
um fim. O fim que justificaria tudo, a ambição, a busca por riquezas, regalias,
direitos e poder, fica imersa em obscuridade. Se não é possível sentir em
Claudius a ambição, porque teria ele cometido o assassinato? Não se sente
ambição nem em Claudius, nem em Hamlet, este último mais um cético, um
desiludido do que um aspirante ao trono da Dinamarca. Nem ao menos em Polônio,
a mais rastejante das personagens da peça, sente-se ambição como motivação para
os seus atos. Porque? Seria medo de se expor à perseguição dos poderosos?
Tendo enchido o texto com
críticas e palavras pouco lisonjeiras, é chegada a hora da virada. Porque,
apesar de tudo que eu disse, eu gostei da peça. Não tenho dúvida nenhuma que a
leitura de Hamlet foi para mim um fato importante. E o foi não somente por
causa de entretenimento e diversão, mas porque me acrescentou, me trouxe uma
série de elementos e idéias novas.
Primeiramente tem a
linguagem e se alguns dos seus recursos, como idéias e imagens podem ser
traduzidos, outros, como trocadilhos e jogos de palavras perdem-se totalmente
com a tradução. Devo também dizer que apesar da leitura cuidadosa, estou
consciente que uma boa parte da beleza foi perdida por conta da temporalidade
das imagens.
Em Hamlet o mais
importante é a forma de dizer as coisas, a extrema elegância, a fina ironia, o
humor das formulações. Cito algumas passagens só para exemplificar, porque o
número excede em muito o espaço aqui disponível.
Trocadilhos: a) Trocadilho em torno da palavra tender que pode significar oferecer
ou então meigo e propostas, no diálogo entre Polônio e Ofélia (Ato I, cena 3). b)
Hamlet para Polônio, falando de Ofélia (Ato II, cena 2): Conception (entender) is a blessing, but since your daughter may conceive (dar a luz) in another way... c) No ato V, cena 1
na cena dos coveiros, Hamlet tece comentários sobre a morte utilizando o
trocadilho com a palavra fine que
pode significar multa, fino, superior,
puro: Is this the fine end of his fines and the recovery (devolução) of his recoveries
(indenizaçâo), to have his fine head full of fine dirt? d) No mesmo ato na mesma cena tem o famoso
trocadilho de lie (deitar) com lie (mentir) e calve (novilho) com calve (calvo).
Som: a) Veja a maravilhosa sonoridade em termos de sons de v/w no seguinte texto do ato 1, cena 5,
em uma fala do fantasma com Hamlet: Yes
that incestuous, that adulterous beast, working
witchcraft with his wits, with a
gift for treachery - oh wicked wits and
gifts that have such seductive power! - he conquered the will of my seemingly virtuous
Queen to satisfy his shameful lust.
Jogos de palavras: a) No ato II, cena 2, quando Polônio tenta convencer
Gertrude que a razão da loucura de Hamlet é o amor: And now it remains that we should find out what caused this effect - or rather what caused this defect - for there must be a cause that
effects this defect.
b) No ato III, cena 4 no diálogo em que Hamlet acusa a rainha, esta
última diz: Be assured that if words are
made out of breath and breath is the product of life, I hardly have life to
breathe a word... c) Veja o maravilhoso jogo de palavras no ato V, cena I,
no diálogo dos coveiros em que se usa se
offendendo no lugar de se deffendendo
e ao mesmo tempo em que se critica a ignorância das classes baixas, ao tentar
imitar (o latim) das classes altas, tece-se alguma reflexões sobre o suicídio.
d) Ato V, cena 2: If it’s going to be now, it won’t be still to come. If it’s not still
to come, it will be now. If it’s
not now, it will still be to come. e) Veja o ritmo e
a sonoridade da seguinte frase no diálogo de Hamlet com Gertrude (ato III, cena
4), quando Hamlet comenta o assassinato de Polônio: It has pleased heaven to punish me with his death and to punish him
through me...
Pensamentos: a) No ato II, cena 2: Nothing is either good or bad unless you think it is that way; b) Na mesma cena: the substantial thing an ambitious man desires is just a shadow of a
dream (a essência do desejo do ambicioso nada mais é do que a sombra de um
sonho); a dream itself is only a shadow.
c) Ato III, cena 2: Anything
overdone...contradicts the purpose of acting - the point of which both
traditionally and today, is to mirror reality. d) Ato III, cena 3 no
monólogo em que Claudius confessa suas culpas: What’s mercy (compaixão) for,
except to look sin in the face? And what is there in prayer except this double
strength: to stop us befere we fall into sin or to pardon us once we’ve fallen?
e)Veja o maravilhoso diálogo entre Claudius e Hamlet no ato IV, cena 3 a
respeito de vermes que comem reis e são comidos por mendigos. Mendigos comendo
reis? f) Ato 4, cena 5: Guilt is so full
of suspicion that its very paranoia gives it away (a culpa é tão cheia de
suspeitas que o medo da culpa acaba por revelá-la).
Alguns destes efeitos
ou brincadeiras não são nada sutis, são até um pouco over e até mesmo aí reside a genialidade de Shakespeare: chamar
atenção, reforçar e enfatizar a sua habilidade. Há que lembrar que teatro é
palavra falada e se não houver clareza e destaque na fala, esta se perde.
Tentando fazer uma
síntese geral de tudo o que foi dito acima eu diria que em Hamlet, Shakespeare
assume algumas das características que se costuma atribuir ao inglês. O
importante não é o que se diz, o conteúdo, mas sim como se diz, isto é, a forma. Forma é importante, ou seja, lendo
Shakespeare aprende-se sobre a importância da forma.
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