Este texto é uma seção do capítulo "Dialética" do livro "Terapia e Cosmovisão" que eu estou escrevendo e que está disponível em http://ctbornstl.blogspot.com.br. Acredito que o texto possa ser entendido fora do contexto em que foi escrito. Por isto é que resolvi colocá-lo aqui.
O
objetivo aqui é mostrar como através da dialética é possível entender o mundo e
a vida. A vida é o resultado do embate de contrários, tudo é e não é ao mesmo tempo.
Mostraremos que aparentemente opostos como individualismo
e massificação têm na verdade
forte interconexão. Adicionalmente será visto que o pleno desenvolvimento do eu só é possível dentro de um todo do qual o eu é tão somente parte.
Frequentemente
questões importantes do nosso cotidiano não são discutidas, analisadas devido a
um fator que quero aqui denominar de inércia
do rebanho. Estamos de tal forma massificados que a racionalidade hoje
dominante é a do rebanho. Cada um
segue aquele que está ao seu lado ou à frente e ninguém ousa pensar com a
própria cabeça, questionar o caminho que está sendo trilhado. O progresso levou
à individualização, ao isolamento e na lógica do fracionamento o que prevalece
é a lógica do rebanho. Como é possível uma sociedade que isola e individualiza,
que separa, divide e fraciona, transformar tudo isto em uma massa amorfa e
uniforme?
Segundo
o Houaiss individualismo é a doutrina que valoriza
a autonomia individual em detrimento da hegemonia da coletividade despersonalizada,
na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais [1]. Segundo
o mesmo dicionário, massificação é a tendência apresentada pelas sociedades
industriais modernas de padronizar gostos, hábitos, opiniões, valores, etc. Aparentemente
trata-se de tendências opostas porque a busca da autonomia, liberdade
individual e satisfação das inclinações naturais se contrapõe à padronização
dos gostos, hábitos, opiniões e valores. E, no entanto, o que se verifica nas
sociedades industriais modernas é que o individualismo levou à massificação e
esta leva a ainda mais individualismo em um círculo vicioso que só pode levar à
destruição [2].
Neste
círculo vicioso causas e conseqüências se confundem. Pois na medida em que o
sujeito, através do isolamento e da individualização, é enfraquecido e
massacrado, ele perde a sua capacidade de reação e luta, submetendo-se mais
facilmente a um regime que o isola e o individualiza. É a perda da identidade
que obriga o indivíduo a se segurar na lógica
do rebanho, a seguir e copiar o seu vizinho. Isolamento e individualização
significam massificação e despersonalização. A máquina tritura os corpos, só
sobrando partes desconexas que realimentam a máquina em seu contínuo trabalho
de trituração em partes cada vez menores até que deles só restem átomos. Os
átomos dos corpos se confundem já não mais reconhecíveis. Assim, longe de ser
contraditório os processos de individualização e massificação na verdade se
complementam, são partes da mesma engrenagem. A engrenagem que fragmenta,
pulveriza é a mesma que uniformiza porque uniformizar é justamente reduzir a
pó.
Vejamos
a lógica oposta. Como seria possível em uma sociedade que une e aglutina
abrir-se espaço para o individual? Se assumimos que o sujeito só é enquanto parte de um todo e se assumimos que a ausência do todo é a ausência da parte, então é a união
que reforça a individualidade. Se ninguém é parte de nada, se vale a máxima do cada um por si que fragmenta e
individualiza, então deixa de haver um todo,
ou melhor, o todo que existe é um nada porque é formado de um conjunto de
partes que se negam. Consequentemente a parte deste todo é nada também. Procurando tornar esta imagem mais palpável é
como se tivéssemos uma máquina onde todas as engrenagens estivessem soltas,
cada engrenagem movimentando-se de forma independente. Tal máquina não
exerceria função alguma e qual poderia ser o papel de uma peça em uma máquina
que não serve para nada [3] ?
Frequentemente
se confunde união com massificação ou tirania. Uma sociedade funcionando como
uma máquina costuma ser associada ao fascismo e, sem dúvida, fascismo e
socialismo centralista são tentativas de aglutinação de pessoas. Mas não
necessariamente estas são as únicas maneiras de se promover união. Não
necessariamente é preciso autoridade para que as pessoas se juntem e é
perfeitamente possível a aglutinação das pessoas em um ambiente de debate e
discussão [4].
Evidentemente
é mais fácil e mais rápido moldar uma sociedade de cima para baixo. A
construção de baixo para cima, inevitavelmente vem acompanhada de marchas e
contramarchas, idas e vindas. Discussões tomam tempo e das discussões
normalmente surgem opções que precisam ser testadas e experimentadas, resultando
em uma indefinição que tem um preço alto. Sacrifícios podem ser necessários e
podem ocorrer dificuldades de todo tipo, inclusive retrocesso. Mas isto não
significa que se trata de uma utopia.
Utopia é achar
que é possível encontrar o caminho para uma sociedade mais justa e mais
equilibrada com facilidade e rapidez. O caminho seguido para a implantação do
socialismo ilustra bem estes fatos. O grande argumento de Marx e Lenin para a
implantação da ditadura do proletariado foi justamente o caráter utópico e,
portanto, idealista e burguês (em contraposição ao realista,
daí socialismo real) de outras
tendências, aparentemente mais difíceis e mais demoradas. A história mostrou
que o contrário era verdade. O que aparentemente era mais rápido e fácil, o socialismo
centralista e centralizador, o autoritarismo do partido único, a hierarquização
burocrática, mostrou ser o caminho mais difícil e lento, pois foi necessário
derrubá-lo para abrir caminho para um socialismo mais autêntico. Quase cem anos
de poder do socialismo centralista levaram a formas de organização da sociedade
que de socialismo tinham muito pouco. Foi necessária a sua queda para que o
capitalismo atingisse a sua plena exuberância, dando origem a uma crise sem
precedentes no mundo, que abre caminho para o surgimento de novas formas de
socialismo. Aqui vemos claramente os caminhos da dialética. Foi necessário o
fim de um certo tipo de socialismo para dar condições para o surgimento de formas
mais aprimoradas. Tivesse sido feita a opção por formas mais lentas e mais utópicas e provavelmente o processo
teria sido mais rápido. O mais lento, portanto, é o mais rápido e o mais rápido
é o mais lento.
Frequentemente
as coisas aparentam ser o que não são. Então, se o individualismo leva à perda
da individualidade, talvez o reforço do coletivo crie condições para que a
individualidade consiga o seu pleno desenvolvimento. Ser costuma ser considerado equivalente a ser diferente. Isto é óbvio se partimos do pressuposto que o
sujeito é aquilo que a sua carga genética, educação, ambiente cultural e físico
determinam. Chamando estes últimos fatores de meio podemos dizer que o sujeito é um produto da genética e do meio
que o cerca. Escolhidos dois sujeitos aleatoriamente, dificilmente carga
genética e meio vão ser iguais o que caracteriza a diferença mencionada.
É evidente que
na medida em que cultura, educação e o ambiente físico, ou seja, o meio, passam
a ser padronizados e uniformizados, a diferença diminui. Nas tiranias, educação
e cultura tendem a ser padronizados, contribuindo assim para a perda da individualidade.
Mas mesmo nas ditas democracias ocidentais predominam padronização e
uniformização. Os meios de comunicação e informação concentram-se nas mãos de
alguns poucos (Google, por exemplo), televisão
e os jornais são dominados por um pequeno grupo e como dependem da publicidade
são obrigados a noticiar aquilo que interessa àqueles que lhes pagam as contas.
Na educação os indivíduos são submetidos a um regime educacional em que crítica
e discussão não são estimulados (veja o filme The Wall) e na cultura a visibilidade e o acesso aos recursos são dados
tão somente àqueles que pertencem ou bajulam o poder. Mas a pior tirania nas assim
chamadas democracias ocidentais é a tirania do mercado, pois ela possibilita
que a manipulação controle tudo já que tudo é regulado pelo mercado. Na
verdade, nas ditas democracias ocidentais, só não há tirania de fato porque a
tirania do mercado a torna desnecessária.
Se
o mercado torna impossível o pleno desenvolvimento da individualidade, é
preciso criar uma força que a ele se oponha. Isto somente será conseguido
através de um coletivo forte que conte com a participação maciça das pessoas.
Uma sociedade em que todos participam, precisa, antes de mais nada, contar com
a participação de cada um. Se a sociedade é de todos então, antes de mais nada,
tem que ser garantido o direito de cada um. Evidentemente que isto gera fortes
possibilidades de conflito.
Aqui
vemos como é preciso ser dialético, pois se, de um lado, o coletivo garante a
pleno desenvolvimento da individualidade, do outro lado, o individualismo ameaça
o coletivo. Forma-se um círculo vicioso em que mais individualidade gera menos
individualidade [5] [6]. Ao
mesmo tempo em que este círculo vicioso é um entrave ao desenvolvimento de um
coletivo forte, ele aponta para a solução. Porque se um dos principais problemas
para o desenvolvimento da individualidade é o individualismo, então temos um forte
argumento para tentar domar este último e desconstruí-lo sem necessidade de
violência nem repressão. Se cada um reconhecer que é preciso abdicar um pouco
do seu eu para poder formar o
coletivo que vai garantir que este eu tenha
chances de sobrevivência então a tarefa fica mais fácil.
Em
minha opinião o melhor processo é o consenso.
Qualquer dissenso gera cisão que ameaça o coletivo. Na medida em que colocar a
vontade individual em segundo plano é um processo consentido, ele não mais representa perda de liberdade e
identidade. Liberdade não é fazer o que se quer onde este querer representa um
desejo inteiramente desconectado do ambiente em que se está. Não poder voar,
por exemplo, não representa perda de liberdade, na medida em que o homem não
voa. Se isto significa uma limitação física que costuma ser aceita, existem
também as limitações sociais. Não poder roubar ou matar são algumas destas
limitações. Elas não costumam representar perda de liberdade, na medida em que
existe um consenso na maioria das
sociedades, que aceita estas restrições como normais e legítimas. Este consenso, na medida em que é consentido, incorpora-se ao indivíduo, passa
a fazer parte dele, passa a fazer parte do seu eu (o superego faz parte
do indivíduo) e não mais representa perda de liberdade individual.
Liberdade é sempre um compromisso entre o ser e o poder. Liberdade sem limitações é
solipsismo, é delírio, loucura e volta à infância. Ser adulto é justamente
reconhecer a ligação que existe entre o ser e o poder, entre ego e superego. É desta combinação que nasce a liberdade. De uma maneira
um pouco esquemática pode-se dizer que ser adulto é ser livre dentro da falta
de liberdade [7].
Cabe
aqui um esclarecimento. No parágrafo anterior poder não implica em qualquer
poder. Aceitar o poder, aceitar os seus limites, evidentemente não implica em
aceitar os limites de qualquer poder. Ressaltamos no parágrafo anterior que o
poder requer consenso, requer consentimento. E é justamente isto que
vai fazer a ponte entre as idéias de liberdade, identidade e a idéia de união.
Pois é numa sociedade em que as pessoas se aglutinam para formar um todo
harmônico que pode surgir o consenso
e o consentimento que permitem que
limites sociais não representem limites à liberdade do indivíduo. Porque se o indivíduo
incorpora, através do consentimento, os limites definidos pelo corpo social,
estes não o limitam. Os limites passam a fazer parte dele e não mais
representam uma limitação da individualidade.
Evidentemente
que se trata de um longo processo de aprendizado. Assim como aprendemos a
andar, a caminhar, a escrever e ler, assim como aprendemos uma língua
estrangeira ou a matemática, temos que aprender a ser livre dentro das
limitações que esta liberdade representa. Existem tantos cursos, escolas,
faculdades em que se aprende tanta coisa inútil. Se tudo pode ser aprendido, se
a gente pode aprender a andar de bicicleta, andar sobre a corda bamba, se a
gente pode aprender a dar conta das nossas neuroses, se existe até escola de
samba, porque não seria possível aprender a ser livre dentro da falta de
liberdade [8]?
Talvez não seja em um curso com giz e quadro-negro, mas que é possível é. Na
verdade, não é que seja impossível o aprendizado da liberdade. É que na maioria
dos casos este é um ensinamento que não se tem interesse em ensinar. Porque?
Só
para realçar que este aprendizado é possível gostaria de lembrar dos Laboratórios Organizacionais criados por
Clodomir Santos de Morais e que tiveram bastante difusão na África e na América
Latina. Trata-se de oficinas nas quais se aprende a trabalhar em conjunto e a
gerir uma empresa em base cooperativa. Evidentemente tal experiência é bastante
distante de um aprendizado de liberdade, mas para trabalhar em um coletivo de
forma harmônica e produtiva também é necessário combinar liberdade e
criatividade individual com as necessidades do grupo [9].
A
maioria destas experiências se dá a nível de protótipo, projeto piloto ou
laboratório, exigindo a interferência de facilitadores ou mediadores o que dificulta
a sua extrapolação para a realidade. Além disso, estas experiências, costumam
ser aplicadas a um determinado campo ou área de atuação (por exemplo, o
Laboratório Organizacional se aplica à atividade laboral e profissional). Como
o aprendizado da liberdade consentida ou consensual é algo mais amplo e geral
talvez a melhor forma desta prática acontecer seja a comunidade. Temos urgentemente que voltar a formas decentralizadas de
convívio e atuação para fazer este aprendizado. Começando com pequenos grupos circunscritos
a prédios, casas, ruas e regiões ou, no trabalho, a uma seção, departamento, ou
ainda, no lazer, a clubes, núcleos, e expandindo lentamente o seu tamanho, é
urgente que se aprenda a convivência que o progresso tecnológico individualizante
nos fez desaprender. Esporte e arte, associações de moradores, cooperativas de
consumo, são excelentes formas de fazer este aprendizado. A própria
fiscalização do poder público, políticas de segurança, avaliação do atendimento
em saúde e educação devia se dar através de processos coletivos formados a
partir da participação dos usuários. Além de fiscalização, avaliação e controle,
estar-se-ia propiciando aos participantes o aprendizado do convívio em grupo.
Visando
ressaltar o fato de que as idéias acima nada tem de utópico, visando mostrar
que união, aglutinação não necessariamente implica em perda de identidade e
individualidade, procuro dar alguns exemplos. O primeiro exemplo é retirado da
natureza e neste sentido cabe um esclarecimento. O que caracteriza o homem é
justamente o fato dele ter se afastado da natureza, ou seja, não cabe
extrapolar experiências feitas para o reino vegetal ou animal para a sociedade
humana. É justamente a capacidade que nós temos de fazer as coisas de forma
diferente que nos caracteriza como seres humanos. Isto, no entanto, não
significa que não tenhamos nada a aprender com a natureza. Somos natureza ao
mesmo tempo em que nos afastamos dela. Esta relação dialética é que justamente
caracteriza a complexidade e a riqueza deste relacionamento.
O
exemplo mais óbvio para a idéia de união e aglutinação na natureza é dado pela
floresta. O que é que caracteriza a pujança de uma floresta senão a pujança de
cada uma de suas árvores? São árvores frondosas e exuberantes que vão se
constituir na beleza de uma floresta. A floresta é as suas árvores e em cada uma delas reflete-se a floresta. Se as
árvores forem transplantadas para outro lugar, colocadas de forma dispersa,
acaba a floresta e possivelmente acabam as árvores, pois os ventos, as condições
de luz e umidade passam a ser diferentes, isto para não falar dos insetos e
animais que ajudam na sua fecundação. Claro que a floresta não é paradigma para
uma sociedade humana. O darwinismo que rege animais e plantas pode e deve ser
modificado pelo ser humano [10].
Mas
melhor do que utilizar exemplos da natureza para realçar ligações entre o
coletivo e o individual é focar diretamente no ser humano. Felizmente existem
muitos exemplos. Qualquer trabalho de equipe bem realizado exemplifica estas
idéias na medida em que, ao contrário do que é alegado, é justamente pela
diferença que as pessoas se complementam. O melhor exemplo é o de um conjunto
ou orquestra de músicos. Os instrumentos procuram complementar diferenças de
timbre, ritmo, altura, etc. Os violinos ficam com os agudos, os contrabaixos
com os graves, o tímpano ressalta o lado rítmico. O conjunto, no entanto, não
exclui o indivíduo. A orquestra só toca bem se cada músico tocar bem e o
virtuosismo é algo incentivado em uma boa orquestra. O som que resulta da
atuação do conjunto nada mais é do que a combinação dos sons produzidos pelos
diversos instrumentos. Claro que é importante que cada instrumento,
individualmente, não ultrapasse o limite imposto pela atuação conjunta. Claro que
é importante que cada músico toque de acordo com uma concepção geral, mas se
este limite é consentido, se ele se baseia na convicção de que é isto que vai
ajudar a abrilhantar o conjunto e se ficar claro que o brilho do conjunto contribui
para o brilho de cada um dos seus integrantes, então este limite não passa a
ser uma limitação.
Muitos outros
exemplos deste tipo podem ser dados. Na verdade, qualquer trabalho de equipe se
caracteriza por uma situação semelhante. O fundamental é que exista um ganho
associado ao desempenho coletivo. É isto que motiva o aprendizado, permitindo que
a parte sirva ao todo. É claro que é necessário aparar as arestas e isto é
particularmente importante em uma sociedade que prima em aguçá-las. Para isto é
necessário aprendizado. Aprendizado tem que ser um processo consentido, fruto
de uma convicção que somente é possível através de esclarecimento e
entendimento.
[1]
Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Editora Objetiva.
[2] Uma
explicação exata e precisa deste círculo vicioso ultrapassa o objetivo deste texto,
mas o que pode ser dito é que o individualismo enfraquece o coletivo o que favorece
a massificação. Para compensar a destruição exercida pelo processo de
massificação, o indivíduo se agarra a uma afirmação desta individualidade em
aspectos formais, resultando em mais cisão e favorecendo, portanto, o processo
de massificação. Resumindo, individualismo gera massificação que gera perda de
individualidade o que acaba gerando necessidade de mais afirmação individual,
destruindo o coletivo e propiciando novo avanço do processo de massificação.
[3]
Idéias deste parágrafo não são novidade e de forma mais ou menos semelhante
foram formuladas por diversos marxistas.
[4]
Algumas idéias deste parágrafo refletem idéias anarquistas (ver Proudhon e
Bakunin). Segundo Tönnies citado em Pappenheim, fascismo e socialismo
centralista seriam formas de realizar uma Gemeinschaft (comunidade)
em contraposição com a Gesellschaft
(sociedade) mais associada ao capitalismo. A Gemeinschaft envolveria uma vontade mais natural em contraposição à
Gesellschaft que envolveria uma
vontade mais racional (veja A alienação
do homem moderno, Fritz Pappenheim, Editora Brasiliense).
[5]. Mais
individualismo enfraquece o coletivo favorecendo o processo de massificação que
reduz o espaço para o desenvolvimento da individualidade. Como defesa, o
indivíduo se agarra à afirmação desta individualidade dentro do espaço ainda
permitido, o que enfraquece ainda mais o coletivo.
[6] Algo
semelhante ocorre na esfera individual com o rejeitar/ser rejeitado. Quanto mais se rejeita mais se é rejeitado
e quanto mais se é rejeitado mais se rejeita.
[7] A
questão da liberdade está intimamente ligada à questão do ser, na medida em que
só se é porque se é livre para ser. Esta é uma das questões
básicas da filosofia e está recebendo aqui um tratamento superficial.
[8] A
verdade é que cultura, civilização e o progresso tecnológico fizeram a gente
perder alguns conhecimentos que antes eram naturais. Hoje em dia é comum em
aulas de ginástica ou ioga, aprender a respirar.
Cursos de nutrição ensinam a se alimentar corretamente. Porque então não
aprender a ser livre?
[9] Para ver
outras técnicas que lidam com esta questão veja dinâmica de grupo, action learning, T-group training e activity-based
learning. Trata-se de campo da psicologia social.
[10]
Esta é uma questão por demais complexa para ser aqui tratada. O que vale a pena
ser mencionado é que se a exuberância de uma floresta é em grande parte fruto
da competição das espécies, por outro lado, na natureza esta competição está
restrita a leis que não necessariamente se aplicam ao ser humano. Ou seja, a
competição na natureza está sujeita a limites que o ser humano permite que
sejam ultrapassados, mudando completamente o caráter desta competição.
Adicionalmente, para o ser humano abrem-se outras maneiras de moldar uma
sociedade que certamente permitem alterar decisivamente formas de darwinismo
utilizadas pela natureza.